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Revisão Bibliográfica – Motivação e o Jiu-jitsu Brasileiro

O jiu-jitsu é uma das artes marciais mais antigas do mundo.

Porém ao longo dos anos essa arte marcial foi evoluindo ao ponto de ser transformada e dividida em diversos estilos. O estilo que mais se assemelha ao original é o atual Jiu-jitsu Brasileiro.

O estilo criado por Carlos Gracie obteve um patamar tão alto que se tornou a única arte marcial a ter seu local de origem alterado devido às novas técnicas implementadas.

O que possibilitou a criação o Jiu-Jitsu Brasileiro foi o fato de Carlos Gracie pertencer a uma família de prestígio na sociedade carioca e que como o jiu-jitsu japonês era associado a elites, não foi difícil esta arte ganhar o interesse da sociedade Brasileira.

O sucesso do jiu-jitsu, segundo Carlos Gracie, é que a modalidade toca num ponto essencial, a segurança psicológica relacionada ao instinto de sobrevivência do homem, de quem o processo de evolução não tirou o espírito de guerreiro e que jamais deixou de associar masculinidade e virilidade a uma capacidade de autoproteção.

Historicamente, todas as culturas, desde a mais desenvolvida até a mais primitiva, exigem do macho um papel de protetor, de si próprio, de sua família ou até mesmo do lugar onde vive, e até o mais pacífico entre eles sofre quando se sente incapaz de reagir a uma situação humilhante ou opressora.

O jiu-jitsu atua exatamente nessa área psicológica da cultura masculina, fortalecendo a sensação de segurança e tornando o indivíduo capaz de enfrentar os desafios, sejam eles de natureza objetiva ou subjetiva, física ou mental.

Composto por um sistema de alavancas mais complexo e eficiente, o jiu-jitsu se mostra superior a todas as outras modalidades de luta existentes, ao modo que esses mecanismos de alavancas permitem que uma desvantagem física se anule devido à técnica.

O jiu-jitsu assim como as demais artes marciais faz parte de um quadro de atividades físicas, as quais buscam um conceito atual de vida saudável. Na qual o corpo acima de tudo é valorizado na sua boa forma.

Para uma maior manutenção de pessoas em atividades físicas uma importante arma tem sido os aspectos motivacionais, sendo a motivação caracterizada como uma tendência cuja intensidade ocorre em função da natureza do objeto ao qual se direciona e da relação do objeto com o sujeito, onde o indivíduo escolhe objetivos e formula projetos de ação para alcançá-los graças a necessidades próprias auto determinadas, sendo estas entendidas como estados motivacionais (BALBINOTTI; BALBINOTTI; BARBOSA, 2009).

Estes estados motivacionais podem ser subdivididos em extrínsecos ou intrínsecos. O estado motivacional extrínseco consiste no comportamento motivado pela expectativa de ganhos e ou resultados não inerentes na própria atividade (FONTANA, 2009). Já o estado motivacional intrínseco tem caráter unicamente autodeterminável e é dado como a propensão interna e inata do indivíduo para desenvolver habilidades e competências, buscando o engajamento e o interesse em novas atividades (FONTANA, 2009).

A partir destas ideias de motivação o trabalho virá a mostrar os principais pontos da Teoria da Autodeterminação, enfocando os aspectos da motivação intrínseca, motivação extrínseca e amotivação, e ainda as seis dimensões motivacionais averiguadas através do protocolo IMPRAFE-132, descrevendo com maior minúcia de detalhes o controle de stresse, sociabilidade, prazer, estética, competitividade e saúde. Relacionando estas ao Jiu-Jitsu Brasileiro, o trabalho busca mostrar os principais aspectos motivacionais em praticantes de Jiu-Jitsu Brasileiro, em equipes da cidade de Porto Alegre.

Dentre várias teorias motivacionais existentes e seus panoramas, que se mostram como fundamentais incentivadores da prática de exercícios físicos em todos os níveis de aptidões e rendimento (BALBINOTTI; BARBOSA; JUCHEM, 2009), o trabalho a ser apresentado utilizou-se da Teoria da Autodeterminação (TAD). Esta teoria foi inicialmente proposta por Deci e Ryan, em meados dos anos 1970, interpretando a motivação intrínseca, extrínseca e a promoção da motivação em pessoas (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004).

Foi na década de 1970 que Deci e Ryan perceberam que a psicologia experimental carregava influências da abordagem comportamental. E motivados pelos pensamentos de White (1975) acerca de que as pessoas se atrairiam por atividades em busca de competência, e as ideias de deCharms (1984) da percepção humana em ser agente principal de suas ações, levaram Deci a publicar o livro Intrinsic Motivation (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004).

Em seu livro Deci argumentou que para que uma pessoa encontre-se motivado intrinsecamente seriam necessários sentimentos de competência e autodeterminação. Assim discordando de Skinner que pregava a sintonia entre comportamento e reforçamento. Neste trabalho Deci ainda afirmou que na motivação intrínseca o comportamento ocorre independente da consequência, pois a recompensa estaria no próprio exercício, e também sustentou que as necessidades psicológicas inatas seriam as principais determinantes do comportamento intrinsecamente motivado (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004).

Várias outras pesquisas foram desenvolvidas desde então, e em uma delas foi constatado que recompensas materiais prejudicariam a motivação intrínseca, ao modo que os indivíduos praticantes das atividades se sentiam externamente guiados (DECI; RYAN, 2000).

Detendo estes estudos Deci e Ryan deram forma a Teoria da Autodeterminação gerando um conceito do ser humano como um ser ativo, tendendo ao crescimento e a interação própria e com demais estruturas sociais. Ao ponto que a motivação se torna essencial para o bem-estar geral e psicológico de um indivíduo (BALBINOTTI; BALBINOTTI; BARBOSA, 2009). Ao modo, então, o indivíduo buscaria atividades em que pudesse desenvolver e demonstrar habilidades, formar vínculos sociais e obter experiências interpessoais satisfatórias. Sendo estas atividades consideradas auto determinadas quando são ações voluntárias e tendo a regulação do comportamento como iniciativa única do indivíduo, tendo as ações controladas pela pressão interpessoal (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004).

A Teoria da Autodeterminação considera ainda que o direcionamento do comportamento motivado tenha proveniência das necessidades psicológicas básicas de competência, vínculo e autonomia, que quando satisfeitas passam o estado de bem-estar ao praticante. A satisfação das necessidades de competência, vínculo e autonomia, são fundamentais para diversos níveis de motivação, como a motivação intrínseca e formas auto determinadas da extrínseca, além da saúde psicológica (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004).

A necessidade de competência veio à tona nos estudos de White na década de 1970, relacionando a necessidade ao comportamento intrinsecamente motivado, definindo o termo como a capacidade de o indivíduo interagir de modo satisfatório com o meio, tendo as capacidades de eficiência para a aprendizagem e desenvolvimento da atividade. O mesmo traz o termo, sentimentos de eficácia‟ quando o executante da tarefa percebe sua própria competência defronte a uma tarefa considerada desafiadora (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004). Guimarães e Boruchovitch (2004) trazem a importância do uso correto do feedback nas situações de tarefas com alto índice de esforço percebido, podendo aumentar a motivação intrínseca . Entretanto a competência não é auto-suficiente para se ter um comportamento intrinsecamente motivado, sendo necessário o sentimento de autonomia para, assim, notar que é o responsável pelo próprio desempenho.

A autonomia por sua vez está atrelada ao pleno domínio de si, com liberdade moral e intelectual, e sem interferência externa. Na Teoria da Autodeterminação, a autonomia está mais especificamente ligada ao desejo e comportamento do indivíduo em suas atividades, integrando-as ao sentimento de controle (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004).

Segundo Guimarães e Boruchovitch (2004) o conceito da necessidade psicológica básica de autonomia, teve como princípios o trabalho de deCharms (1984) que já trabalhava em cima do conceito de causação pessoal de Heider (1958). De acordo com o conceito, a pessoa tem uma pré-disposição a executar atividades cujo acredite fazer por vontade própria, e não por motivo extra pessoal. Assim um sujeito que tenha o sentimento de causação pessoal, e que tem para si que as suas ações causam mudanças no seu habitat pode levar a um aumento do comportamento intrinsecamente motivado, e demonstrando real interesse de atingir e superar metas com êxito, estabelecendo avaliações verdadeiras do seu progresso (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004).

Valendo assim o contrário, quando o sujeito percebe suas ações sendo influenciadas por indivíduos ou objetos externos, estará propício a ter sentimentos negativos quanto ao que está sendo executado. Ao fato de os resultados das ações do sujeito ser compreendida pelo mesmo como sendo externa, como a pressão externa de pessoas de seu convívio, além de desenvolver fraqueza e ineficácia de sua atividade, podendo levar ao seu abandono (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004).

No entanto a percepção de competência e o sentimento de autonomia se resguardam na necessidade psicológica de pertencer a um grupo, obtendo vínculos, assim formando um comportamento intrinsecamente motivado. Isto devido à necessidade humana de ter segurança, que será proveniente dos vínculos obtidos na atividade, e dará sustentabilidade para o indivíduo se aprimorar na atividade (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004). Deste modo pode se afirmar que as necessidades competência, autonomia e vínculo estão integradas e interdependentes, ao modo que a melhora de cada resultará num avanço do todo (DECI; RYAN, 2000).

Segundo vários autores da literatura a motivação pode ser dividida no ramo intrínseco e no ramo extrínseco. Como vínhamos falando a motivação intrínseca trata da tendência natural de buscar desafios e novidades. O indivíduo realiza tal atividade por vontade própria por ser interessante, atraente, e ou, geradora de satisfação. Por sua vez a motivação extrínseca é observada como motivação a trabalhar por algo externo a atividade, como a obtenção de recompensas materiais ou sociais e com a finalidade de atender as pressões externas (NEVES; BORUCHOVITCH, 2004). Alguns autores ainda acrescentam o ramo da amotivação, caracterizado pela ausência dos estados autodeterminados da motivação, podendo levar ao desinteresse, e ou, abandono da atividade (DECI; RYAN, 2000).

Deci e Ryan (2000) afirmam que uma pessoa intrinsecamente motivada é levada a agir pelo desafio e satisfação proporcionado pela atividade, tendo assim uma personalidade basicamente auto determinada. Segundo Guimarães e Boruchovitch (2004), na aprendizagem o papel do professor é fundamental para o crescimento da motivação intrínseca, porque é a partir do feedback proposto pelo professor que o aluno vai desenvolver seu senso de competência. Em outras palavras através do estimulo do professor, um agente externo, o aluno ganhara em motivação interna, ou intrínseca. Isto desde que o estimulo externo seja percebido como informativo e não como um elogio.

As necessidades psicológicas básicas e inatas – competência, autonomia e vínculo – levam a realização das atividades de forma intrinsecamente motivada. Vários estudos dão ênfase a esta afirmação, ao afirmarem que a motivação intrínseca esta atrelada a melhora da aprendizagem, do desempenho e bem estar do sujeito. Mostrando que o executante da ação tende a persistir mais na atividade possuindo maior satisfação intrínseca, e que fatores ambientais que melhorem as necessidades psicológicas básicas levam a um melhoramento de sua capacidade intrínseca, gerando frutos positivos na atividade (FONTANA, 2009).

No caso da competição, temos efeitos benéficos e maléficos para a motivação do competidor. Ao mesmo tempo em que um atleta tem capacidade de desenvolver ainda mais sua motivação intrínseca como a oportunidade de ter bons desafios, feedback de competência e sentimentos de eficácia. Podemos levar o atleta a um comportamento extrinsecamente motivado, devido à pressão por desempenho e possíveis premiações ou recompensas. Alguns estudos mostram que indivíduo que tem alguma competição como alvo, tem grande facilidade de perder motivação intrínseca quando não atingido o objetivo. Ao contrario de quem participa da competição como aprendizado, que mesmo tento resultados ruins, usa isto para tentar melhorar seu desempenho na próxima competição (FONTANA, 2009).

Fontana (2009) também afirma que em alguns casos que a motivação intrínseca está atrelada ao bem estar na atividade, levando a se dedicar ao máximo, e em períodos pós-competição a treinar com mais ímpeto, por felicidade pelas vitórias ou para evitar novas derrotas. Em outras palavras o indivíduo se mantém intrinsecamente motivado em caso de vitoria ou derrota.

Sendo assim a motivação intrínseca esta associada à disposição, bem-estar, interesse e alegria quanto à tarefa. E também pode ser vista de três modos: quando a pessoa realiza alguma atividade no intuito de aprender algo; quando o faz pelo próprio prazer de realizar a atividade; e ou, quando realiza a atividade por vivenciar situações estimulantes inerentes à atividade (BALBINOTTI; BARBOSA; JUCHEM, 2009).

De maneira contrária a motivação intrínseca a motivação extrínseca refere-se ao indivíduo que começa numa atividade em função da expectativa de resultados favoráveis ou por outras situações que não a atividade em si (DECI; RYAN, 2000).

Os graus de autonomia e envolvimento na atividade podem variar, e por isso o estado da motivação extrínseca foi subdividido em três grupos: a regulação externa, forma mais avançada da motivação extrínseca, que fala sobre realizar atividades para receber prêmios ou recompensas materiais, ou evitar consequências ou punições do meio em que o sujeito se encontra envolvido; a regulação interiorizada, um pouco mais branda que a anterior, onde o indivíduo executa a tarefa por pressões externas subjetivadas do meio em que vive mas que foram interiorizadas pelo indivíduo, ou seja realiza a tarefa por culpa ou medo de rejeição; a regulação identificada, a mais próxima da motivação intrínseca, que diz respeito à prática da atividade a favor de valores tidos como importantes, podendo não ser uma real escolha do indivíduo, ou seja, uma atividade que não lhe seja interessante ou agradável (BALBINOTTI; BARBOSA; JUCHEM, 2009).

Na Teoria da Autodeterminação, além de serem estudadas as motivações intrínsecas e extrínsecas, também é entendida a amotivação, uma vez que essa trata do indivíduo que não se encontra apto ou disposto a entender os motivos da execução da tarefa (BALBINOTTI; BARBOSA; JUCHEM, 2009).

Sendo o comportamento amotivado o menos autodeterminado, por não terem razão para acontecerem, nem objetivo de premiação, nem possibilidade de melhora de rendimento. O comportamento amotivado vem a ter origem em forças externas, fora do controle emocional do sujeito, não tendo nem pensamentos nem intenções pró- ativas (DECI; RYAN, 2000). Estudos também dão conta de que o melhor jeito para manter o indivíduo comprometido com a tarefa é aplicar alguma motivação extrínseca, uma vez que o sujeito amotivado apresenta um certo grau de descaso quanto a atividade, tornando mais difícil uma motivação intrínseca (BALBINOTTI; BARBOSA; JUCHEM, 2009).

Em outra vertente a motivação pode ser subdividida em seis dimensões distintas, que levam um indivíduo a buscar e manter-se numa determinada atividade. São elas: saúde, controle de estresse, estética, sociabilidade, prazer e competitividade (ROCHA, 2009). A saúde no presente trabalho é definida como a prática regular de atividades físicas a fim de manter ou adquirir saúde física.

A saúde é descrita de diferentes maneiras, como, a ausência de doenças, promoção da vida e o bem-estar físico, mental e social de um indivíduo. O olhar mais cientifico da saúde traz respeito à prevenção de doenças uma vez que o exercício voltado para esta área leva a uma perda de massa gorda, ganho de massa magra e óssea, melhorias cardiopulmonares e regulação de enzimas (ROCHA, 2009). Estudos mostram que a preocupação com a saúde física e mental são agentes motivacionais na busca por atividades físicas (FONTANA, 2009).

O controle do estresse está muito atrelado ao conceito da saúde, principalmente da saúde mental. Sendo relacionado com a atividade física para reduzir o nível do desgaste emocional do cotidiano. A atividade física mesmo causando um estresse físico, facilmente recuperável, atua como uma válvula de escape mental, proporcionando um relaxamento psicológico, levando a um bem- estar (ROCHA, 2009). Em vários estudos foram encontradas altas relações entre a prática contínua de atividade física e redução do nível de estresse psicológico. Também é visto que cada indivíduo tem maior ou menor propensão a suportar o estresse, devido à personalidade, apoio familiar e experiência que influem na recuperação psicológica. Em casos mais graves o estresse pode levar a patologias emocionais e físicas, tornando ainda mais importante a atividade física como terapia para esse mal (FONTANA, 2009).

O conceito de estética também é muito próximo, e até confundido com o de saúde. Num contexto atual, o padrão de estética idealizado se faz presente em um corpo jovem, magro, esguio e tonificado, para tanto é necessário uma alimentação balanceada e uma carga de exercícios satisfatórios (ROCHA, 2009). A estética corporal surge no sentido de valorizar um consenso da sociedade a qual se está inserido, quanto ao estereótipo concebido como ideal, mesmo este estando longe de ser predominante na comunidade, levando a uma busca desenfreada para alcançar este status (FONTANA, 2009). Em um estudo viu-se que a partir da adolescência o quesito estética/ aparência se torna um dos principais motivadores para começar e permanecer na pratica de exercícios físicos. Pois o corpo não mais representa apenas uma imagem vista e admirada pela sociedade, mas sim uma forma de se expressar diante desta sociedade (SALDANHA, 2007).

A sociabilidade, entretanto vem tratar da maneira natural do ser humano em se agrupar para suprir a questão do vínculo, da aceitação e identificação com seus comuns. Sendo um motivo para a procura de atividades físicas, pois nestas o indivíduo irá se identificar com pessoas que de um modo mais abrangente terá costumes e gostos parecidos com os seus (ROCHA, 2009). A socialização é fundamental para a saúde mental do indivíduo, levando a formação de um autoconceito, melhora da auto-estima e melhora cognitiva, sendo o esporte um ótimo meio para incentivar e satisfazer a carência de sociabilização em qualquer etapa da vida, pois trabalha o bem-estar individual e coletivo, à mesma maneira que valores éticos e morais (FONTANA, 2009).

A dimensão motivacional prazer, está relacionada a autos índices de motivação intrínseca na realização de uma atividade, sendo executada devido à vontade inerente do indivíduo fazer isto. Também estando ligado a uma sensação de autodeterminação o prazer é subordinado a percepção de competência e vínculo na atividade (ROCHA, 2009). Para Fontana (2009), o prazer está muito presente na atividade física, e é considerado importante instrumento na motivação do praticante. Em estudos foram vistos que pessoas que participam de atividades físicas regularmente não apresentam variações significativas na percepção de prazer, em todas as faixas etárias. Ressaltando ainda mais a importância do prazer para a adesão e permanência numa atividade física (FONTANA, 2009).

A competitividade, que por conceito é a concorrência com outro indivíduo ou grupo na tentativa de conquistar algo, pode ser muito importante no interesse de um indivíduo em uma determinada atividade. Isto ocorre devido a tendência do ser humano em procurar adversários maior, menor ou igualmente qualificados, a fim de superar seus limites ou elevar sua auto-estima (FONTANA, 2009).

Em estudos foram verificados duas vertentes na competitividade: uma menos auto determinada, onde o indivíduo compete em busca da vitoria, tendo como objetivo comparações interpessoais, sendo mais vista em indivíduos jovens; e a outra mais auto determinada, onde o indivíduo compete na busca de um melhor desempenho pessoal, sendo este caso mais observado em indivíduos mais maduros (FONTANA, 2009). Como já foi dito a competição é um fator importante para a adesão e permanência numa atividade, por outro lado também é motivo para o abandono da mesma. Uma vez que o ambiente competitivo é cercado de pressões externas e internas, ansiedade, medo e frustrações, todavia se bem trabalhado esse lado competitivo, diminuindo a importância da vitória, e sim aumentando a relevância da melhora individual ou coletiva, a competição passará a ser um fator agregador (BALBINOTTI; BARBOSA; JUCHEM, 2009).

Motivos para o abandono precoce no desporto

Numa sociedade cada vez mais marcada pelo sedentarismo e pelas doenças intrínsecas ao mesmo, é fundamental o incentivo á pratica desportiva nos jovens para o combate a este tipo de problemas. Mas com este incentivo, por vezes, pais e dirigentes pressionam os jovens de forma exagerada, o que psicologicamente, pode levar ao abandono da prática desportiva por parte dos mesmos, uns pela pressão, outros pela desmotivação, são vários os motivos que podem levar ao abandono, este é mote para uma pesquisa e discussão sobre o que leva os jovens ao abandono.

Segundo Santos(2008) “o desporto valoriza socialmente o Homem, proporciona uma melhoria do seu auto-conceito, e a aprendizagem de uma modalidade desportiva constitui uma das mais significantes experiencias que o ser humano pode viver com o seu próprio corpo.”

Além da prática desportiva é também preponderante aos agentes desportivos preocuparem-se com o abando do mesmo.

“Num estudo sobre o abandono e as suas motivações realizado por Oliveira et al (2007) verificou-se que 42% dos individuos abandonavam a natação nos escalões mais jovens (juvenis), em júnior 33% e somente 8% em seniores(…) as motivações para esse abandono seriam os resultados negativos, falta de apoio, as lesões, a falta de conciliação dos estudos com o desporto, a rotina dos treinos e a falta de integração social.” Santos (2008)

Boulgakova (1990) citado por Santos(2008) verificou que as razões para o abandono desportivo seriam a falta de resultados desportivos ou a sua estagnação, o aparecimento de outro tipo de interesses, a mudança de treinadores.

Vasconcelos (2003) num estudo realizado em Portugal verificou que atletas de elite abandonavam o desporto, devido ao estilo de vida, ao cansaço do calendário desportivo e os maus resultados.

Santos (2008) conclui que pelos estudos “os possíveis factores de abandono precoce desportivo serão os treinos monótonos, os treinos demasiado agressivos, a estagnação de resultados (…) a envolvência dos pares e familiares (…) a saturação do ritmo desportivo e competitivo.”

Silva (2013) aponta de entre os factores de abandono desportivo as lesões.

Em suma na perspetiva do rendimento, o abandono deve-se então:

  • Aumento das cargas especializadas;
  • A grande rigidez e disciplina no treino;
  • A pressão das competições em idades baixas;
  • A saturação do treino;
  • A aversão à prática desportiva;
  • Os problemas escolares e familiares (Almeida e Monteiro, 2004).

Conclui-se por tanto que a pressão em volta da competição tem uma carga psicológica muito grande, é importante motivar os atletas de forma a segurá-los na modalidade para com à vontade poderem atingir os objectivos a que se propõem.

Assim note-se que a competição está intrínseca à pressão de resultados, mas deve ser sempre aplicada de forma cuidada e perspicaz para assim evitar o abandono.

Referencias:

http://www.efdeportes.com/efd127/o-abandono-precoce-do-desporto-pelos-jovens.htm

https://prezi.com/mvbvkabv9bh6/a-especializacao-precoce-e-a-exclusao-ou-abandono-precoces/

http://cptdg.blogs.sapo.pt/2043.html

Stress e Ansiedade no Desporto

O desporto de competição tem em si uma componente emocional muito forte naquilo que é o jogo ou pratica do mesmo, essa carga emocional, afecta não só atletas mas também árbitros treinadores e todo e qualquer ser que esteja sujeito á pressão dos resultados.

Todos aqueles que já viveram ou vivem o desporto de competição devem ter passado por situações de stress e ansiedade no despor, uns pela pressão de atingir os resultados dentro de campo, outros por regressarem de lesão e pensarem constantemente que poderão ter uma recidiva, ou até, pelo simples facto de o decorrer “saudável” da competição depender directamente do seu trabalho. De facto, são hoje já conhecidas as crescentes exigências que se colocam em cima dos ombros de atletas árbitros treinadores e dirigentes, bem como a pressão psicológica a que estes agentes desportivos estão sujeitos, “não sendo de estanhar a dificuldade ou incapacidade de muitos em enfrentar e lidar eficazmente com as exigências competitivas” (Cruz et al. 1994).

Estudos demonstram uma “elevada incidência de stress e ansiedade em contextos desportivos, experienciada por muitos atletas, independentemente da idade e do nível competitivo.” Assim sendo, “são claros” as consequências avassaladoras no rendimento competitivo destes atletas, conforme evidenciam alguns estudos.

“Tradicionalmente , o stress e a ansiedade no desporto têm sido vistos como factores perturbadores que, invariavelmente, prejudicam o rendimento dos atletas. Esta ideia tem sido reforçada pelo facto de a maior parte das investigações psicológicas em contextos desportivos integrar alguma técnica de redução da ansiedade.”

Reglin(1992) diz-nos que investigações recentes têm apresentado um ”quadro complexo do papel destes dois factores tão limitativos no rendimento desportivo, salientando também os seus efeitos positivos.”

Ou seja, ainda não se vislumbra consenso entre os investigadores, embora haja mais, quem acredite que os factores emocionais são a explicação para quebras de rendimento sem motivos aparentes, “daí o stress e a ansiedade pareçam ter, umas vezes, efeitos facilitativos do rendimento e, outras vezes efeitos debilitativos no rendimento.”

Além dos efeitos na directos na competição propriamente ditos, Cruz (1994) afirma que “o abandono da competição”, “a maior vulnerabilidade a lesões e a sua recuperação, parecem também consequências do stress e da ansiedade(…)”.

Referencias:

Cruz, J.F. (1996). Stress e ansiedade na competição desportiva: Natureza, avaliação e efeitos. in. http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/21084